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Estudo de Caso

Endividamento das famílias brasileiras: estrutura, tendências e riscos sistêmicos

O crédito ao consumidor cresceu acima do PIB por três anos consecutivos. Analisamos o que isso significa para a estabilidade financeira.

Gustavo Pimentel · Publicado em 23 jul. 2026 · Atualizado em 24 jul. 2026

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,3% da renda acumulada nos últimos doze meses, segundo dados do Banco Central. O número é alto para padrões históricos brasileiros, mas ainda abaixo de economias desenvolvidas como Estados Unidos e Reino Unido. O problema não é o nível absoluto — é a composição e o custo.

Cartão de crédito e crédito pessoal não-consignado respondem por parcela desproporcional do endividamento. São as modalidades mais caras, com taxas médias que ainda superam 100% ao ano. Quando a família se endivida nessas linhas para cobrir despesas correntes, o ciclo de comprometimento de renda se torna difícil de quebrar.

Crédito consignado como âncora

O crédito consignado — descontado diretamente na folha ou no benefício previdenciário — tem taxas muito menores e funciona como âncora de qualidade na carteira de crédito das famílias. A expansão do consignado privado, aprovada recentemente, pode ampliar o acesso a crédito mais barato para trabalhadores formais.

O risco sistêmico não está no crédito consignado, mas na parcela de crédito livre de alto custo. Se a inadimplência nessas carteiras subir, o impacto sobre bancos médios e fintechs pode ser relevante.

Perspectiva para o segundo semestre

A queda da Selic deve reduzir gradualmente o custo do crédito livre, mas a transmissão é lenta. Para famílias já endividadas, o alívio virá com defasagem. O indicador a acompanhar é a taxa de inadimplência acima de 90 dias, que ainda não mostra deterioração expressiva, mas precisa ser monitorada.

Gustavo Pimentel

Mestre em Economia pela USP. Especialista em crédito e sistema financeiro no Laboratório Financeiro.

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