O real voltou a enfrentar pressão cambial no segundo trimestre de 2026. Este estudo examina os determinantes da taxa de câmbio no período recente e os riscos de médio prazo.
A taxa de câmbio brasileira acumula depreciação de cerca de 8% no primeiro semestre de 2026, em movimento que reflete tanto fatores externos — aperto monetário nos Estados Unidos, aversão global ao risco — quanto internos, especialmente incertezas fiscais e o diferencial de juros em compressão.
As reservas internacionais do Brasil, que superam US$ 350 bilhões, funcionam como colchão contra crises de balanço de pagamentos. Mas reservas altas não eliminam a vulnerabilidade cambial — elas apenas ampliam o espaço para intervenção do Banco Central em momentos de estresse.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que historicamente atraía capital estrangeiro para ativos brasileiros, estreitou-se com o ciclo de cortes da Selic. Isso reduziu o incentivo para o carry trade e contribuiu para a saída de recursos de renda fixa.
O déficit em conta corrente, embora controlado, voltou a crescer no primeiro semestre. A combinação de importações em alta e exportações de commodities pressionadas por preços internacionais mais baixos deteriorou o saldo comercial em alguns meses.
O cenário-base aponta para estabilização cambial no segundo semestre, condicionada à manutenção da âncora fiscal e à trajetória dos juros americanos. O risco principal é uma deterioração do ambiente externo — desaceleração da economia chinesa, por exemplo — que poderia ampliar a pressão sobre commodities e, consequentemente, sobre o real.
Para investidores, o câmbio continua sendo uma variável de risco relevante em qualquer alocação em ativos brasileiros. A diversificação cambial, via fundos ou ativos dolarizados, permanece uma consideração válida para portfólios de médio e longo prazo.
Doutora em Economia pela FGV. Pesquisadora de política monetária e câmbio no Laboratório Financeiro.